Queres ficar são?

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Prefácio do Livro Jesus Terapeuta, de Cláudio Fajardo

Queres ficar são?

A pergunta que fez Jesus ao paralítico de Betesda ressoa pelos séculos e permanece como nunca válida para o homem atual, pois o sufrágio da dor, sob o cortejo de numerosas moléstias, segue a sufocar-nos o bem-estar e a comprometer-nos a felicidade na Terra até os dias de hoje. Por isso, ainda é lícito retorquirmos ao Divino Médico: Sim, Mestre, continuamos desejando ardentemente nos tornar sãos.

A busca da saúde perfeita sempre integrou os sonhos do homem que gostaria de viver sobre a face do planeta completamente livre dos males que em todos os tempos o assediam. Assim, a ciência moderna tem se empenhado com extremado afinco em deslindar os segredos das enfermidades, em busca de eficazes recursos que possam saná-las definitivamente. E, nos dias de hoje, assistimos à engenharia genética prometendo-nos, em um futuro próximo, a tão sonhada perfeição orgânica, através do completo controle do genoma humano, fazendo desaparecer todas as doenças que nos visitam na vilegiatura terrena.

Contudo, olvida a razão humana de que não conquistaremos uma organização biológica impecável sem antes educarmos o espírito eterno, pois somos um composto integral de alma e corpo, sendo a cápsula física nada mais do que um amontoado de células, dirigidas e organizadas pelo nosso psiquismo superior. Por isso, de pouco adiantará conferir-nos uma veste carnal perfeita se não aprendermos a conduzi-la adequadamente pelas veredas da vida. Da mesma forma que, emprestar um instrumento irreprochável a um homem não é o bastante para torná-lo um músico cabal e habilidoso.

Ignora ainda a nobre ciência médica que a saúde desejável é produto de equilíbrios espirituais profundos, oriundos de nossas multifárias experiências pela caminhada dos milênios. Por isso, impor à enfermidade meios químicos de ação superficial e momentânea poderá proporcionar-nos alívio ligeiro, mas será insuficiente para conferir-nos a cura definitiva.

Iluminados pela ciência espírita, estamos plenamente convencidos de que não bastam os remédios para sanar-nos verdadeiramente. Infelizmente, a saúde legítima não se compra no balcão farmacêutico, mas se conquista mediante a vivência integral dos preceitos do amor, ínsitos nos recônditos painéis da nossa consciência imortal. Logo, estamos seguros de que se permanecermos ferindo a Lei de Deus por desconhecer os preceitos morais que deveriam nortear-nos as inter-relações, continuaremos a semear as causas primeiras de nossas muitas moléstias, comprometendo-nos permanentemente com a colheita da dor na lavoura da vida.

Eis então que se faz urgente nos nossos dias adestramo-nos na ciência do Evangelho a fim de alcançarmos a felicidade e o bem-estar físico desejáveis na Terra. É indispensável que o conhecimento humano se curve diante da sabedoria do Cristo, conferindo-lhe valor de ciência. É preciso reconhecer o extraordinário valor terapêutico da fé e a atuação de uma vontade superior oriunda do nosso ser eterno, a interferir decisivamente nos mecanismos de cura. E, é imprescindível persuadirmo-nos de que somente o comportamento genuinamente cristão poderá dotar-nos do almejado equilíbrio que todos buscamos, proporcionando-nos a superação de todos os males que nos afligem na jornada evolutiva. Eis por que Jesus é o médico das almas e veio trazer-nos, de fato, a solução última para todas as nossas dores: a vivência do amor integral. Este é o fabuloso recurso medicamentoso de uso interno que, ao fundir-nos com o Todo, será capaz de tornar-nos seres angelicais e, portanto, poderosos e plenamente saudáveis.

Desse modo, conhecer as curas do Evangelho é essencial para os nossos aflitivos dias, onde ainda se debate a alma humana chafurdada em erros milenares. Assim, livros como este do nosso caro amigo Cláudio Fajardo emocionam-nos sobremodo por atender essa premente necessidade dos desorientados tempos hodiernos, ainda subordinados a uma orientação exclusivamente materialista na condução de nossas vidas. Em claro e agradável roteiro de análises, ele nos conduz, com maestria e excelente didática, no estudo das fabulosas curas efetuadas pelo Divino Médico. E termina por abastecer-nos com o genuíno saber, aquele que tem valor de eternidade e verdadeiramente nos interessa por, não somente favorecer-nos com os mais valiosos recursos curativos ao nosso alcance, mas também propiciar-nos atingir os planos superiores do espírito, onde desfrutaremos da saúde plena.

Por isso, amigo, “se queres ficar são”, medita profundamente nas lições das curas evangélicas. Cuida do corpo, mas zela, sobretudo, da alma, onde estão todos os fundamentos da saúde e da doença. Aguça os ouvidos e ouça ainda as palavras do Mestre na acústica de tua alma, dispondo-te a praticar os Seus ensinamentos, se anseias possuir ainda na Terra o máximo bem-estar possível. Pois, não te olvides, o paralítico de Betesda deixou a presença do Divino Terapeuta perfeitamente são, porém com a decisiva recomendação de não “voltar a pecar para que nada pior lhe sucedesse”.

Este é o único caminho, a singular e peremptória verdade, a conferir-nos a excepcional vida plena e saudável que todos buscamos, em todos os tempos.

Gilson Freire

BH, Julho de 2006

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