Quem Não Se Comunica Se Trumbica

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Meu amigo, seja simples no falar e no escrever. Só assim todos poderão te entender, tanto o povão quanto o erudito. Não faça como Euclides da Cunha em “Os Sertões” ou como Rui Barbosa na anedota que contam dele: “Certa vez, um ladrão foi roubar galinhas justamente na casa do escritor Rui Barbosa. O ladrão pulou o muro, e cercou as galinhas. Naquele alvoroço, Rui Barbosa acordou de seu profundo sono, e se dirigiu até o galinheiro. Lá chegando, viu o ladrão já com uma de suas galinhas, e disse: Não é pelo bico-de bípede, nem valor intrínseco do galináceo; mas por ousares transpor os umbrais de minha residência. Se for mera ignorância, perdôo-te. Mas se for para abusar de minha alma prosopopéia, juro-te pelos tacões metabólicos de meus calçados, que darte-ei tamanha bordoada, que transformarei sua massa encefálica, em cinzas cadavéricas.” O ladrão todo sem graça se virou e disse: “Cumé seu Rui, posso levar a galinha ou não???”

Rui Barbosa foi, por duas vezes, candidato à presidência da República. Na campanha de l9l9 arrebatou (entusiasmou) multidões, mas perdeu para Hermes da Fonseca.

Eu conheci um pernambucano que coleciona cartazes de propaganda política. A peça mais antiga que ele tem é uma folha A-4 com uma foto 3x4 do candidato Rui Barbosa; e toda a folha impressa com um palavreado do tipo da anedota. Resultado: foi derrotado. Certamente poucos entenderam sua plataforma de governo.

Todas as línguas vivas têm sinônimos e homônimos. O idioma português os tem em profusão (abundância). O erudito escolhe a palavra mais esdrúxula (esquisita) para expressar palavras simples e mostrar conhecimento e erudição (saber muito).

Você já ouviu falar algo sobre Esperanto e Libras? Esperanto é um idioma universal criado objetivando uma aproximação entre as nações, a fim de que todos podem se entender em pé de igualdade, uma ponte neutra não pertencendo a nenhuma nação. Esperanto não tem uma sinonímia (um punhado de sinônimos), como acontece com as línguas naturais. Os dicionários do idioma Esperanto não são volumosos. Conhecendo um vocábulo, podemos formar 2, 4, 6, 10, 15 outros vocábulos com a adição de afixos. A língua é de uma regularidade total; não há exceções. A gramática é muito simples. A ortografia é estritamente fonética, cada letra corresponde a um som e vice-versa, isto é, como pronunciamos, escrevemos e, como escrevemos, pronunciamos.

E Libras? (Linguagem Brasileira de Sinais). É a linguagem do surdo-mudo. Uma invenção fantástica, coisa de Deus. Você vê na TV um(a) interprete de Libras transmitindo simultaneamente para os surdos o discurso de uma autoridade nacional. A palraria (falatório) dessa autoridade, sem dúvidas é rica em sinônimos desconhecidos do povão. O palrador (tagarela) quer mostrar-se superioridade e domínio (exercer autoridade). O interprete conhece todos esses estranhos sinônimos? Sim, ele(a) é um súpero (sabe tudo). Ele(a) transmite ao surdo todos o palrear (falar) do discursista (aquele que fala) através de um rápido e simples gesto de mão ou dedo. Maneira simples de comunicar. Não menosprezemos esses deficientes. Conhecem o idioma português melhor do que nós ouvintes e falantes. Já estão por aí cursos de Libras para professores (pobres criaturas, mais esse esforço por um salário mixo) para integrarem em suas classes os deficientes auditivos.

Acredito que os animais usam Libras para se entenderem. Um passarinho move a cabeça para direita e movimenta a asa esquerda, ele está dizendo: “Eu te amo”. 

Luiz Teixeira da Silva

4 de outubro de 2011

Friday the 24th.