Papai Noel Lavrense

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Muitas vezes vemos nos jornais citações de cidadãos de nossa cidade que se destacam no esporte, na política, na literatura, na arte... Alguns até aparecem no exterior. Lavrenses há, sem dúvidas, por esse mundo afora, honrando suas origens, ocultos, entretanto, aos meios de comunicações.

No segundo ou terceiro dia após o Natal de 2004, um apresentador de TV comunicou, com emoção, a morte de um cidadão de 60anos, que nos últimos 17 anos aparecia caracterizado de Papai Noel no Shopping Center Norte, na cidade de São Paulo. Seu nome era Paulo Faustino. Tinha as bochechas rosadas como as do caridoso velhinho. Vastas sobrancelhas, cabeleiras e barbas brancas, tudo ao natural. Na zona leste de São Paulo, na Vila Industrial, onde residia, o chamavam de Papai Noel. Foi o impulso que precisava para incorporar o “bom velhinho”. Com vimos, Faustino precisava pouco para se transformar em autêntico Papai Noel. Era humanista por natureza, presença alegre, contagiante. Para ele era gratificante ver as crianças felizes ao seu redor. “Lavo a alma”, dizia.

Tornou-se empresário, uma pequena firma de produção de festas. Parte do que ganhava com o shopping e com sua empresa, distribuía aos necessitados de sua região.

Ainda num clima natalino, Paulo Faustino saía de um restaurante, em companhia de um amigo, onde foi apanhar marmitas para distribuir numa vizinha comunidade pobre, quando foi surpreendido por um bandido de arma em punho. Exigiu a maleta que Paulo portava. Diante da sua recusa, o bandido o assassinou com três disparos à queima roupa. O mesmo aconteceu com seu amigo. A maleta, abandonada no local, continha dinheiro? Não. Somente cartinhas de crianças que Paulo guardava carinhosamente.

Durante dois ou três dias depois do infausto acontecimento ainda vimos comentários a respeito nos noticiários da TV. Um dos filhos de Paulo, comovido, declarou que, mesmo sem a face rosada do pai e sem cabelos brancos, pretende continuar a sua tarefa interrompida pelas mãos de um indivíduo perverso e inútil.

Por que estou relatando isso? Porque Paulo Faustino era um lavrense de nascimento. Nos meses de Junho ou Julho de cada ano aparava um pouco a barba e fazia um rabinho com os cabelos e aparecia aqui em Lavras para visitar os amigos (eu era um deles) e familiares residentes na vizinha cidade de Macaia

Agora só nos restam saudades.

Luiz Teixeira da Silva

Fevereiro de 2005

Wednesday the 20th.