Os Espíritos Ajudam

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          Certa ocasião, minha neta de oito anos, acompanhada de uma amiguinha da mesma idade, aproximou-se de minha mesa de trabalho e viu um envelope de uma carta que chegara da Bulgária naquele momento. Admiraram o selo de grande formato, que estampava um buquê de rosas vermelhas. Expliquei-lhes que se tratava de um selo da Bulgária, um país distante. A amiguinha virou-se para mim e falou que seu pai era búlgaro. Eu sabia que a mãe dela havia ido trabalhar em São Paulo, e ali se casou, enviuvou-se e voltou a Lavras com duas lindas filhinhas. Mas que o marido era um estrangeiro eu nunca soube. Éramos quase vizinhos. Procurei a viúva e fiquei sabendo de toda a história. Ela, em São Paulo, casou-se com um búlgaro que já estava no Brasil há alguns anos. Iniciaram uma modesta fabricação de biscoitos que logo se transformou numa pequena indústria. Nasceram as duas filhas. Tudo ia bem. A indústria crescendo. O marido providenciando a vinda dos familiares para o Brasil. Aconteceu o inesperado; o marido morre num desastre de trânsito. A esposa não consegue manter a indústria de biscoitos. Vendeu tudo e voltou à suas origens, no aconchego da família e dos amigos lavrenses.

          A comunicação com a família do falecido marido na Bulgária era um problema sério. Ninguém sabia a língua de ninguém. Quando a viúva recebia carta da Bulgária, ela era obrigada a viajar à Divinópolis, onde residia um búlgaro, para ler e responder à missiva.

          Sou um esperantista há muito tempo. Há mais de trinta anos tenho um correspondente na Bulgária. Somos grande amigos. Usamos o idioma Esperanto para os mais variados assuntos. Esse meu amigo reside na mesma cidade onde mora a família do falecido marido. Coincidência?

Resumindo: fizemos uma ponte através desse idioma que facilitou muito a reunião das duas famílias. As cartas, no alfabeto búlgaro, eram traduzidas para o Esperanto pelo meu amigo. Eu as vertia para o português e entregava à viúva, que respondia em português, e a operação acontecia em sentido contrário.

          Hoje as filhas são duas lindas moças. Uma delas aprendeu o idioma inglês, e a prima búlgara, além do inglês está aprendendo o português.

          Eu acredito que tudo foi montado pela espiritualidade para que as dores e saudades dessas almas fossem amenizadas.

          Através da Internet, as duas famílias estão bem próximas uma da outra, hoje independente da minha ajuda.

          Os personagens lavrenses dessa história são parentes de Celi Borges, negociante muito conhecido na cidade. 

Lavras, 4 de julho de 2010 

Luiz T. Silva

Friday the 24th.