Está Tudo Diferente

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O alumínio foi descoberto há quase dois séculos e o plástico há cerca de 100 anos. A humanidade não encontrou uso imediato para esses produtos. Ficaram esquecidos, aguardando a chegada de uma nova Era. A passagem de uma Era para outra não acontece da noite para o dia. A transição se dá devido uma série de fatos que vão mudando os costumes e as necessidades do homem.

Já pensaram num computador feito de madeira? Impossível! A programação divina tem tudo preparado para ser descoberto na hora certa. Só no início do século XX, principalmente na década de 20, é que se iniciou o desenvolvimento do alumínio e do plástico.

Eu posso dizer que nasci antes do plástico, antes do cinema falado, antes do xerox...

Inventaram o alumínio, logo em seguida o plástico, e ao mesmo tempo, como num estalar de dedos, surgiu a Era da Informática. Tudo limpo, uma beleza. Soluções rápidas. Basta premer uma tecla e tudo vem às mãos.

Você, jovem, que nasceu outro dia, encontrou tudo pronto, moderno, funcionando com perfeição. Já parou para imaginar como era nossa vivência sem esses componentes da boa vida que você tem hoje? Mas eu, ou melhor, nós, quase centenários, não notávamos nada de errado. Tudo funcionava bem, sem nenhum embaraço. Uma vidinha mansa, sem grandes ambições.

É interessante como a gente se adapta facilmente às coisas boas que surgem no decorrer de nossas vidas. Nossos brinquedos eram de louça, papelão, tecido, metal ou madeira. O maquinário industrial era pesadão, de ferro e aço, com rodas dentadas, molas, correias, correntes, polias, alavancas e manivelas. Cultura e conhecimentos eram só para alguns. O primeiro avião que vimos sobre Lavras, caiu aqui. Pode cair hoje um ônibus espacial que não fará tanto sucesso, medos, crenças e desmaios como aconteceu em 1932 durante a Revolução Constitucionalista.

Vimos nascer o rádio transmissor. A gente pagava importo para possuí-los. Cinco mil reis por ano. Os fiscais eram os carteiros, pois o imposto era recolhido nas agências dos correios. Era difícil burlar a fiscalização. Toda casa que tinha um aparelho de rádio teria que ter dois bambus bem altos à mostra, para a antena.

Havia bicicletas para homens e bicicletas para mulheres. A bicicleta feminina tinha um espaço para saia ou vestido, entre o selim e o guidom; a roda traseira era protegida com uma rede, tipo crochê, para impedir que a roupa se enrolasse nos raios da roda.

Mulher não viajava a cavalo montada como o homem. Ia sentada de lado, e não usava calças compridas.

A infância durava muito mais tempo.

As locomotivas soltavam brasas pelas chaminés. A linha férrea que atravessasse pastagens ou plantações tinha que ter aceiros nas laterais para se evitar incêndios. (Aceiro era uma faixa de terra capinada de certa largura, nas margens das ferrovias). Passageiros usavam guarda-pós, pois brasas e carvões penetravam pelas janelas dos vagões.

Os bares de luxo tinham escarradeiras ao lado das mesas. Credo!

Não existiam frangos abatidos. Cada família matava o seu para o almoço. Eram vendidos vivos de porta em porta.

Constantemente, carros de bois percorriam as ruas, transportando material para construção ou lenha para o fogão. E o profissional rachador de lenha, com seu machado afiado, oferecia seus préstimos profissionais de casa em casa.

Como veem, a mudança foi muito grande e rápida. Adeus papel carbono e blocos com dois ou até cinco vias. O mundo melhorou muito. Só falta agora o homem se educar para fazer bom uso e usufruir dessas maravilhosas invenções modernas e aguardar as próximas.

  

Luiz Teixeira da Silva

Novembro de 2011

Wednesday the 20th.