Falando com Deus

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          Deus, eu tenho conversado sempre com você, mas nunca me apresentei. Eu sou o Zé, filho do sô Joaquim e da Sá Maria, aquela que faz doces de batatas para o senhor Gerônimo, naquela venda da esquina na rua de baixo. Eu vi, num livro religioso, um retrato seu; barbudo, bigodudo, vestido com uma camisola simples sem enfeites. Parecia um velho sujo e rabugento. Não acreditei! Para mim você é um meia-idade, bem vestido, sapatos polidos, barbeia-se diariamente e tem um sorriso cativante. Na primeira parte desse livro fala que você era mau, vingativo e preconceituoso. Na segunda parte, você melhorou, mas não tanto. Não acreditei nada daquilo, papel aceita tudo, não é? Você é o maior! O mais justo e o mais amoroso. Eu é que não entendi ainda as suas Leis. Mas eu chego lá! Eu nunca vi você; acho mesmo que ninguém jamais te viu. Eu penso que você é tão grande, tão grande que não há espaço para eu me afastar e poder te ver por inteiro.

          Eu vi, um dia, num circo, uma pulga andando nas rugas da perna de um elefante. Será que a pulga conhece a “geografia” do bichão? Eu acho que a pulga nem sabe onde está. Desculpe a comparação, Deus, eu acho que sou a pulguinha da pulga que está na sua roupa. Você está presente sempre; eu é que sou pequeno demais.

Eu li que você não precisa de mãos para criar as coisas, nem de pernas para andar. Não precisa de asas para voar e nem de olhos para enxergar. Basta estalar os dedos e as coisas se fazem sozinhas. Mas você não tem mãos! Como!

Eu gostaria de me dirigir a você para um papo cara a cara. Mas percebo que isso é impossível. Você tem vários nomes. Todos te imaginam de uma forma diferente. É difícil para mim imaginar o seu formato. É um mistério sem corpo.

          Hoje estou no seu altar, sem disputa religiosa, só com a crença do coração, agradecendo pela felicidade de acreditar que você existe.

         

Aquele abraço!

 

Luiz T. Silva

Agosto de 2011

Wednesday the 20th.