A Mulher Soldado

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Não tenho dúvidas de que um grande número de mulheres, verdadeiras heroínas, lutou ao lado de homens em prol da liberdade e da cidadania. Entretanto ficaram anônimas e esquecidas, sendo o homem glorificado, biografado e homenageado em estátuas. Estou me referindo a épocas passadas. Hoje está tudo diferente. A mulher está ao nível do homem; participa de todos os setores da vida; administra empresas, polícia, cidades, países e maneja armas de fogo. Enfim, é uma guerreira como o próprio homem. Não são mais citadas individualmente como uma excepcionalidade, são apenas, com muita honra, prestativas cidadãs. No passado, algumas se destacaram; dentre outras, posso lembrar-me de Anita Garibaldi que empunhou armas durante a Guerra dos Farrapos.    

Mas eu quero mesmo é falar da mulher-soldado. Aquela que realmente foi empossada no militarismo, recebeu uniforme e manejou a espada, num tempo que só os homens eram convocados. A História guarda com carinho dois nomes de mulheres-soldado. A primeira foi a francesa Joana D’Arc (1412-1431); um exemplo de heroísmo e pureza, cognominada a Donzela de Orleans. No comando de um destacamento de cavaleiros, vestida de uma armadura branca, venceu os ingleses nas batalhas de Orleans e Patay.      

A outra, a segunda mulher-soldado, investida ao posto de alferes do Exercito Nacional, foi a baiana Maria Quitéria de Jesus Medeiros, ou simplesmente Maria Quitéria (1792-1853). Fala-se tão pouco dessa mulher! Sua história é emocionante. Procure conhecê-la.         

Quando o nosso amor à liberdade mostrou a necessidade de conquistar nossa independência e de fundar a nacionalidade brasileira, um entusiasmo agitou Maria Quitéria. Na Bahia ainda havia lutas contra as tropas portuguesas fiéis a Portugal, contra o ato de D. Pedro ao proclamar a independência. Maria Quitéria traça um plano ousado. De uma irmã casada consegue algumas roupas de um cunhado. Disfarçada assim de homem assenta praça, incorporando-se a um batalhão de artilharia. Mostrou-se guerreira corajosa, distinguindo-se por seus feitos de armas, indizível valor e marcante intrepidez. Descoberto o disfarce, reclamou o direito de continuar lutando. Finda a batalha, viajou para o Rio de Janeiro, a fim de levar ao Imperador a notícia do embarque das últimas tropas portuguesas. Dom Pedro I, diante de tanto valor, pregou no peito da abnegada baiana a insígnia de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro, que lhe garantia ao mesmo tempo as honras de alferes do Exército Nacional.         

Depois de Maria Quitéria, só em 1955 o governo brasileiro outorgou o imprescindível ingresso da mulher na polícia militar dos Estados. 

Em 28 de junho de 1996, Maria Quitéria foi aclamada Patrona do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro. Ainda bem! Muito merecido!         

Como demorou esse “8 de março” para homenagear as mulheres! Em 1975 comemorou-se oficialmente o Ano Internacional da Mulher. Mas só em 1977 foi reconhecido oficialmente pela ONU como “Dia da Mulher”.         

Parabéns a todas as mulheres, donas de casa, operárias, guerreiras e transformadoras do mundo! 

Lavras, fevereiro de 2011 

Luiz Teixeira da Silva

Friday the 24th.